"Eu considero Guaraqueçaba um pequeno mundo dentro do mundo"
- Padre Mário Di Maria - (12/07/1974 - entrevista ao Jornal Diário do Paraná)

31 de outubro de 2011

31 de outubro - Dia do Saci

        Todo ano, na véspera do Dia de Todos os Santos (01/11), é comemorado o "halloween", festa realizada em muitos países, principalmente nos E.U.A, desde que levada pelos imigrantes irlandeses.

        O povo Celta acreditava que no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saiam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam, nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas...
        Por ser uma festa pagã foi condenada na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamada de Dia das Bruxas. Aqueles que comemoravam esta data eram perseguidos e condenados à fogueira pela Inquisição. Com o objetivo de diminuir as influências pagãs na Europa Medieval, a Igreja cristianizou a festa, criando o Dia de Finados (2 de novembro).

Halloween no Brasil
        No Brasil a comemoração desta data é recente. Chegou ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda pela televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a propagação da festa em território nacional, pois valorização e comemoram esta data com seus alunos: uma forma de vivenciar com os estudantes a cultura norte-americana.


A Bruxa que comia bebês
        Moravam num rancho, o casal e dois bebês. Numa noite de luar, faltando água, o marido convidou a esposa e foram buscar água no poço, que ficava pouco distante dali, deixando os bebês sozinhos. Ao retornarem, logo perceberam que a lua tinha sumido, ventava bastante e tinha um buraco no telhado do rancho, vendo também manchas de sangue no chão. Preocupados com os bebês, olharam no rancho do fogo e viram uma velha muito feia, com unhas enormes, despedaçando os bebês e comendo as tripas, ela ia embora levando os restos que sobravam. Então a esposa lembrou que havia esquecido de colocar tesouras debaixo dos travesseiros dos bebês.

(aluna Graciely Cristina Pires (8ª série “B”), do Colégio Estadual Marcílio Dias, no ano de 2010 .

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        Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado.

        Para tanto, foi criado pelo governo, o Dia do Saci, que consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado pelo então líder da câmara do governo Aldo Rebelo (PCdoB - SP) e Ângela Guadagnin (PT - SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao "Dia das Bruxas", ou "Halloween", de tradição cultural celta. Propõe-se seja celebrado em 31 de Outubro. Anteriormente, consta que iniciativas semelhantes já tinham sido aprovadas na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo.

 Quem é o saci
        O Saci-Pererê é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Provavelmente, surgiu entre povos indígenas da região Sul do Brasil, ainda durante o período colonial (possivelmente no final do século XVIII). Nesta época, era representado por um menino indígena de cor morena e com um rabo, que vivia aprontando travessuras na floresta.
        Porém, ao migrar para o norte do país, o mito e o personagem sofreram modificações ao receberem influências da cultura africana. O Saci transformou-se num jovem negro com apenas uma perna, pois, de acordo com o mito, havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho e um cachimbo, típico da cultura africana. Até os dias atuais ele é representado desta forma. O comportamento é a marca registrada deste personagem folclórico. Muito divertido e brincalhão, o saci passa todo tempo aprontando travessuras na matas e nas casas. Assusta viajantes, esconde objetos domésticos, emite ruídos, assusta cavalos e bois no pasto etc. Apesar das brincadeiras, não pratica atitudes com o objetivo de prejudicar alguém ou fazer o mal.
        Diz o mito que ele se desloca dentro de redemoinhos de vento, e para captura-lo é necessário jogar uma peneira sobre ele. Após o feito, deve-se tirar o gorro e prender o saci dentro de uma garrafa. Somente desta forma ele irá obedecer seu “proprietário”.
        Mas, de acordo com o mito, o saci não é voltado apenas para brincadeiras. Ele é um importante conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas. Ele controla e guarda os segredos e todos estes conhecimentos. Aqueles que penetram nas florestas em busca destas ervas, devem, de acordo com a mitologia, pedir sua autorização. Caso contrário, se transformará em mais uma vítima de suas travessuras.
        A crença neste personagem ainda é muito forte na região interior do Brasil. Em volta das fogueiras, os mais velhos contam suas experiências com o saci aos mais novos. Através da cultura oral, o mito vai se perpetuando. Porém, o personagem chegou aos grandes centros urbanos através da literatura, da televisão e das histórias em quadrinhos.
        Quem primeiro retratou o personagem, de forma brilhante na literatura infantil, foi o escritor Monteiro Lobato. Nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o saci aparece constantemente. Ele vive aprontando com os personagens do sítio. A lenda se espalhou por todo o Brasil quando as histórias de Monteiro Lobato ganharam as telas da televisão, transformando-se em seriado, transmitido no começo da década de 1950. O saci também aparece em várias momentos das histórias em quadrinhos do personagem Chico Bento, de Maurício de Souza.
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        Caro(a) saciólogo(a), Se você apoia a sugestão da SOSACI de termos o Saci como mascote da Copa 2014, que tal encaminhar mensagens diretamente à CBF http://www.cbf.com.br/?
        O endereço da Assessoria de Imprensa (Fale conosco) é: comunicacao@cbffutebol.com.br . Sr. Rodrigo Paiva.
Veja o texo original do Mouzar Benedito

"Que tal começarmos já uma campanha para que a mascote seja o Saci? Veja as vantagens: Primeiro, não seria preciso pagar direitos autorais a ninguém. No máximo, o que poderia ser feito é um concurso para cartunistas etc, para escolher o melhor desenho. E por que o Saci?
        - Ele é a síntese da formação do povo brasileiro:
       É o mito brasileiro mais popular, o único conhecido no Brasil inteiro (Boitatá, Curupira e mesmo a Iara requerem explicações quando a gente fala deles, em alguns lugares. O Saci não). É o típico brasileiro: mesmo pelado e deficiente físico, é brincalhão e gozador.
        E tem mais:
        - no início era um indiozinho protetor da floresta. Tinha duas pernas.
       - depois foi adotado pelos negros e virou negro. A perda de uma perna tem várias histórias. Uma delas é que ele foi escravizado, ficou preso pela perna, com grilhões, e cortou a perna presa. Preferiu ser um perneta livre do que escravo com duas pernas. É um libertário, então.
        - dos brancos, ganhou o gorrinho vermelho, presente em vários mitos europeus. O gorrinho vermelho era também usado pelos republicanos, durante a Revolução Francesa. Na Roma antiga, os escravos que se libertavam ganhavam um gorrinho vermelho chamado píleo.
        Só ná tem orientais nessa história porque eles chegaram mais tarde, já no século XX. Mas dizem que já foi visto um Saci de olhinhos puxados, no bairro da Liberdade, o Sashimi.
        Você pode entrar no sítio da Sosaci que tem um monte de histórias de gente que viu o Saci, inclusive esse Sashimi (é a quarta ou quinta história).
        Então, olha aí uma proposta, pedido, convocação ou sei lá o quê: entre nessa também.
        Se você topar, vai ser uma baita força. Ajude a divulgar esta idéia e, se tiver condições, escreva, fale com quem tem espaço na mídia para que declarem sua adesão nos jornais, revistas, rádio, TV, blogues etc.
        Já pensou o Saci em camisetas no mundo inteiro? Ele provocaria muito interesse dos outros povos para a cultura popular brasileira. Coisa que esses símbolos bestas (como o dos Jogos Panamericanos) não fazem."

COLABORE:
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        “Eu vi uma vez o saci no mangue” – assim jura seu João Alves Batista, conhecido como João Buso, dizendo que certa vez o saci varou a canoa do seu tio num baixio, lá pros lados da Ilha das Gamelas, em Guaraqueçaba, onde habitava antigamente.
        “O Saci é um negrinho pitoco, usa um cachimbinho e não tem uma perna, olhe não sei que tirou aquela perna dele, mas que ele gosta de fandango, hô rapaz”.
        Conta que certa vez foi com seu pai, a remo, da Ilha das Gamelas, próximo a Ilha Rasa: “lá no Saco da Pedra”, e enquanto o pai fora resolver alguns assuntos, ele ficou deitado na popa da canoa e como já tinham soltado a rede, apenas esperava o momento de recolhê-la.
        "Rapaz de Deus. Decapoco escutei aquele parapapa parapapa parapapa”, se assustando e logo perguntando ao pai quando este chega na canoa. Não houve dúvidas, o pai logo confirmou: “esse aí? Vede é o saci dançando fandango”.
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        O saci, na cultura caiçara, é representado por um pássaro chamado fim-fim, mas ganha vários nomes diferentes: fiste, pele-pele, dianho, tinhoso, mardito. No litoral do Paraná, o fim-fim também canta para anunciar dias quentes. A crença é que não presta imitá-lo, pois se você o fizer, ele te seduz, te leva para o mato e nesse momento se transforma no fiste e dá uma surra de galho no curioso. Normalmente, isso acontece com os cachorros e, nesse caso, a recomendação é lavar o animal com água de sal e benzê-lo para que não fique desconfiado. (CULTIMAR. As lendas na educação caiçara).

REFERÊNCIAS:
A Bruxa que comia bebês - Recolhida pela Professora Morgana (língua portuguesa), para o Projeto “Traços culturais das comunidades tradicionais do litoral do Paraná e resistência frente ao avanço da modernização expropriatória impulsionada pelo capital”, no Programa Universidade Sem Fronteiras, no ano de 2010.
 
João Alves Batista (In memoriam). História recolhida por Zé Muniz para a pesquisa Fandango na alma caiçara. Inédito.
 
http://www.sosaci.org/

IMAGENS:

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2 comentários:

  1. Parabéns! Enaltecer a nossa cultura é nossa obrigação como educadores.Cultura verdadeira e gostosa é do nosso Litoral Paranaense!

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  2. Obrigada E bom ler sobre "as coisas " que nos identifica.
    -Dou a maior força para o Saci ser o mascote.
    MLSB

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