"Eu considero Guaraqueçaba um pequeno mundo dentro do mundo"
- Padre Mário Di Maria - (12/07/1974 - entrevista ao Jornal Diário do Paraná)

26 de abril de 2015

Lenda Guaraqueçabana III - O saci no fandango caiçara

O Saci fandangueiro
        Este personagem está presente em inúmeras histórias da tradição oral caiçara. Deus sôlivre se alguém tentasse arremedá-lo. Dizer que não ouviu ele cantar então, tá loco... Algumas vezes até ajudava os caiçaras pescarem muitos peixes, mas é claro, o maior tinha que ser dele. E não desse só pra ver! Teve um que até deu o filho pra ele apadrinhar. Certa vez deixou vovó surda por que esta disse não ouvir o seu associu fim-fim...
 
        “Eu vi uma vez o saci no mangue” assim jura seu João Alves Batista (In Memoriam), conhecido como João Buso, dizendo que certa vez o saci varou a canoa do seu tio num baixio, lá pros lados da Ilha das Gamelas, em Guaraqueçaba, onde habitava. Muito consciente do que tinha visto, falava: "o saci é um negrinho pitoco, usa um cachimbinho e não tem uma perna, olhe não sei quem tirou aquela perna dele, mas que ele gosta de fandango, hô rapaz".
 

 
        Existia uma família que morava num local retirado em determinada comunidade, pras bandas de Guaraqueçaba, como lembrou Mestre Eugênio dos Santos (In Memoriam) e o pai, pescador, sempre levava o filho para o mar e este aos poucos ia aprendendo como pescar sozinho e os segredos do mar.
        Certa vez foram, pai e filho, e este pequeno logo observou, longe, no barranco, um homenzinho que pulava, pulava e nas mãos tinha algo, como que a tocar um instrumento, sentadinho sobre uma pedra.
        O menino sempre avisava o pai, mas este não dava muito interesse, se preocupava mais em puxar a rede, esperando muitos peixes. Houve um dia, porém, que ao avistar o homenzinho pulando, o menino berrou ao pai: "paiêêê" - e este resolveu olhar, avistando no barranco, exatamente como era descrito pelo filho.
        Ao estranhar alguém por aquelas bandas, pois ali não tinha casa, foram ver quem era, do que se tratava, quem estava por ali, naqueles gestos como a tocar algo...
        Terminaram de recolher a rede, nem retiraram os peixes, remaram pro barranco, encostaram a canoa e se aproximaram do local, se surpreendendo quando lá não encontraram ninguém, apenas uma viola feita de folha de Jaruvá, depositada em cima da pedra.
        Seu Eugênio dos Santos (In Memoriam) jura que era a viola do Saci: “é sim, era o Saci. O Saci gosta muito de fandango e toca viola”.
       
reprodução da viola do saci confeccionada com capa de brejaúva/jaruvá
 
        João Alves Batista, o João Buso (In Memoriam), conta que certa vez foi com seu pai, a remo, da Ilha das Gamelas, próximo a Ilha Rasa: "lá no Saco da Pedra", e enquanto o pai, depois de soltarem a rede, fora resolver alguns assuntos, ele ficou deitado na popa da canoa e como já tinham soltado a rede, apenas esperava o momento de recolhê-la. “Rapaz de Deus. Decapoco escutei aquele parapapa parapapa parapapa”, se assustando com tamanho barulho no meio do mato e logo perguntando ao pai quando este chegou na canoa. Não houve dúvidas, o pai logo confirmou: “esse aí? Vede é o saci dançando fandango”.

Anísio Pereira reproduziu a suposta viola deixada pelo saci
 
       Existem outras histórias na tradição caiçara onde o sací, ou o pé redondo resolve aparecer, querendo levar umas meninas numa casca de amendoim, tocando muito bem sua viola, disputando com violeiros, etc... Conto outro dia.
 
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MAIS LENDAS DE GUARAQUEÇABA

1: A maldição do carnaval
http://informativo-nossopixirum.blogspot.com.br/2010/10/lendas-guaraquecabanas-parte-1-maldicao.html

2: Tangará - o pássaro fandangueiro -
http://informativo-nossopixirum.blogspot.com.br/2011/01/lenda-guaraquecabana-parte-ii-tangara-o.html

12 de abril de 2015

Macaxeira - o fotógrafo da cultura caiçara

Recebemos com pesar a notícia do falecimento de Carlos Roberto Zanello de Aguiar, o nosso Macaxeira.

foto: Kraw Penas/Divulgação
 
        Curitibano de nascimento, quando veio ao mundo em outubro de 1949, fotógrafo da SEEC desde os anos 80, faleceu no último 09 de abril.

“Ele não era apenas um fotógrafo. Era um artista de olhar apurado que nos deixa um rico acervo de imagens que retratam a cultura do Paraná, principalmente a arte do litoral, como o fandango. É uma perda que lamentamos muito”, diz o secretário Paulino Viapiana.


        Sempre presente pelas ruas de Guaraqueçaba, pelos caminhos de Superagui, com sua simplicidade e humildade, Macaxeira nunca, ou quase nunca apareceu em fotografias, mas boa e considerável parte do acervo fotográfico sobre cultura caiçara e patrimônio no Paraná foram registradas sobre suas atentas lentes.

        Destas suas inúmeras visitas, nunca veio a passeio! Todas as vezes que chegava em Guaraqueçaba, com certeza trazia novidade aos caiçaras, aos guaranis, era material distribuído, era produzindo material, era com inscrições para exposições, era convite de apresentação, era contato de eventos, etc., sempre atento aos bastidores e encontrando lugar para nossa cultura estar presente.
        Macaxeira foi um dos primeiros a olhar, valorizar e dar o pontapé inicial em posteriores pesquisas acerca do Fandango Caiçara em Guaraqueçaba, quando indicou equipe com fotógrafos, músicos, antropólogos, a produzir os primeiros trabalhos sobre Fandango Caiçara, em Rio dos Patos. Com essas experiências constituiu seu riquíssimo acervo de peças e artesanatos caiçaras e guaranis, dentre tantos outros, também dono de um vasto conhecimento, sabendo valorizar as mais diversas manifestações culturais do povo caiçara e indígena, oportunizando-os a expor e divulgando sempre.
        Crítico como era, por vezes chateou-se com alguns que desconsideraram sua trajetória, rico e farto material fotográfico, construído por anos de trabalho de campo a fio, em detrimento de contratações novas, visando cachês oriundos da cultura. Possuía muito conhecimento e material e apenas queria utilizá-lo para divulgar nossa cultura.

        Pudemos ver um pouquinho de seu acervo no seu livro “Fandango do Paraná: Olhares”, o qual amplamente distribuiu pela região, pois não visava obter lucro sobre a obra e se compromissou a entregar a todos quanto desejassem, principalmente aqueles que faziam parte dos registros.
        Sua grande diferença: Não fez um projeto, executou e foi embora... Participou como um de nós, lutando com o setor público e privado por melhorias e oportunidades para a cultura caiçara e, neste sentido adquirindo muitos críticos acerca de sua pessoa/trabalho. Levantou a bandeira de nossa causa por amor à nossa cultura.
        Carnaval, Páscoa ou final de ano, sempre atento no Bar Akdov, em Superagui, estava ele, aguardando a oportunidade de registrar momentos.

no AKDOV tocando surdo em 2009

         A Sala do Artista Popular, em Curitiba, frequentemente recebeu exposições de artistas de Guaraqueçaba, Superagui, Guaranis, também intermediando apresentações culturais em Curitiba e exposições em outras salas, como o CJAP Centro Juvenil de Artes Plásticas, onde os alunos do Col. Est. Marcílio Dias expuseram em 2014.

em 2014 fotografando a abertura da exposição dos alunos do Col. Est. Marcílio Dias no CJAP, em Curitiba

         O conheci muito bem. Sempre o visitava na sua sala na SEEC/PR, quando voltava cheio de novidades e informações sobre futuras exposições e apresentações, também ouvia seu lamento sobre diversos empecilhos prejudiciais aos bom desenvolvimento da cultura caiçara.

        Não podemos nos despedir. Não podemos nem prestar-lhe nossas últimas homenagens. Mas em nome de toda comunidade caiçara, fandangueira, podemos dizer nosso MUITO OBRIGADO Macaxeira, pelos anos acreditando em nosso trabalho e por defendê-lo. Grande exemplo!
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acréscimo em janeiro de 2016

 "Macaxeira: Obra & Vida; Vida" no hall da Secretaria de Estado da Cultura, em Curitiba
 
 
 
ainda há trabalhos feitos em homenagem ao fotógrafo pelos alunos dos cursos de artes do CJAP Centro Juvenil de Artes Plásticas 
 
 
  
 

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        Em conversa com o Secretário de Estado da Cultura João Luiz Fiani, durante o recebimento da Bibliopraia, o Diretor de Cultura de Guaraqueçaba Leandro Dieguiz Gonçalves acerta detalhes para trazer a exposição "Macaxeira: Obra & Vida" para Guaraqueçaba e Superagui, a partir de fevereiro de 2016.
recebimento da estrutura do Projeto BiblioPraias

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SERVIÇO:
Exposição: "Macaxeira: Obra & Vida"
Período: de 04 de dezembro de 2015 a 14 de fevereiro de 2016.
Horário: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
Local: Hall da Secretaria de Estado da Cultura. Rua Ébano Pereira, 240, Centro. Curitiba.

8 de abril de 2015

IMAGEM DA SEMANA... DO MÊS... DE TANTOS ANOS

IMAGEM DA SEMANA... DO MÊS... DE TANTOS ANOS
        EM 2009 JÁ HAVIA POSTADO SOBRE A MINHA RUA PROFESSOR MANOEL MALAQUIAS E O SAGRADO DIREITO DE IR E VIR... balela!
        Mas desta vez, não vou reclamar, apenas compartilhar imagens desta primeira semana de abril, mas por favor não pensem que é descaso, por favor, não imaginem isso, esta situação é resultado APENAS da lua cheia e a consequente cheia do mar.
Rua Professor Manoel Malaquias 'intransitável'

único acesso de pescadores, residentes e turistas

video

        Há, só para lembrar aos críticos de plantão. SIM! os impostos estão em dia.

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Retorno o link sobre o descaso nesta rua, em postagem do ano de 2009


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acréscimo em 23/11/2016

       Ainda no primeiro semestre de 2016, algumas providências foram tomadas tentado minimizar os problemas na citada rua... Chegou o aterro, os blocos, caminhões, tratores e as obras incluídas no Edital conforme TOMADA DE PREÇO Nº 01/2016- PMG (http://portalmodelo.com.br/20173/documentos/licitacao/503.pdf> para a “Contratação de Empresa Para Prestação de Serviços de Mão de Obra, assentamento de Blocos de Concreto e meio fio pré-moldados com escavação nas ruas: Superagui e Prof. Malaquias, em atendimento a Secretaria de Transporte e Obras”.

 

e pasmem, a rua ficou quase pronta poucos dias antes do final de setembro, sendo concluída nos próximos dias de outubro (pós eleição).

infelizmente, não deu nem tempo para inaugurar, pois a ressaca do último mês evidenciou - em nosso entendimento - algumas precariedades - como a falta de um muro de arrimo, uma vez a obra/rua ser diretamente afetada pelo mar...

Será que esperamos por manutenção???


bom, foram algumas dezenas de anos, com documentos, abaixo assinados, sessão no legislativo, conversa com executivo, visita de engenheiros, blá blá blá... até chegarmos a essa situação, resolvendo e muito a situação dos cidadãos que por ali residem, bem como daqueles que transitam...

obrigado pela viabilização da obra, nada mais do que nosso sagrado direito.