"Eu considero Guaraqueçaba um pequeno mundo dentro do mundo"
- Padre Mário Di Maria - (12/07/1974 - entrevista ao Jornal Diário do Paraná)

19 de novembro de 2018

Deocir Gomes dos Santos, artista tipicamente caiçara.

          Deocir Gomes dos Santos é nascido em Serra Negra, município de Guaraqueçaba, no dia 11 de dezembro de 1966; veio ao mundo pelas mãos da parteira D. Mariquinha (Maria Alves), reconhecida na região pelo saber da parteiragem, quando por aquelas plagas inexistia auxílio médico e as condições de transporte eram quase inexistentes até Guaraqueçaba, com as mínimas condições, ou mesmo à Paranaguá, mas para ambas, após horas de descida do Rio Serra Negra, desembocando na baia das Laranjeiras...
          Sua mãe se chama Aline Gomes dos Santos e o pai Moacil Paula dos Santos (In Memoriam), este que, na década de 1940, d’uma aventura descendo a Serra do mar, desbravando a Floresta Atlântica, vai fixar residência em Serra Negra, onde encontra sua futura esposa, contraindo matrimônio, do qual foram gerados 04 filhos; com estes ainda pequenos, sendo Deocir o segundo mais velho, porém, com poucos meses de idade, o casal Aline e Moacil se mudam à Paranaguá, onde passam a residir na Vila Guarani e algum tempo depois, para Ilha dos Valadares, onde os filhos e a mãe ainda residem... 
            Desde os 05 ou 06 anos de idade, Deocir já demonstra habilidades para as artes, com prematuro reconhecimento entre professores e colegas de turma, ainda nos tempos de estudo na Escola Cidália Rebello Gomes, na Ilha dos Valadares, uma vez que, como lembra daqueles tempos e não segura os risos, assume não ter tantas habilidades para outras matérias naquela época colegial... O talento para as artes, reconhece ter herdado da parte materna, uma vez que a mãe, ainda no sítio, em Serra Negra, sempre confeccionava utilitários (cestos, balaios, tipiti), também o avô, velho fandangueiro naquela região.
          A vida lhe designou atividades na área marítima, na qual Deocir se ocupou por muitos anos, porém, nunca abandonou os pincéis, fato que, aos 30 anos de idade, proporcionou-lhes a mudança de carreira, dedicando-se a pintura; até então rabiscava desenhos e fazia entalhes em madeira, sempre pintando-os ao final...
          “curioso de arte, desde criança” Deocir é um autodidata, utilizando-se de técnicas acrílico sobre tela, mas também óleo sobre tela, ainda fazendo obras em relevo, assumindo tendências “mais pro realismo”, como diz. 
          Amante da leitura, viaja nas páginas e pelas letras, que lhes servem de instrução e também inspiração, seja na história da arte ou na biografia de algum artista, entre eles, admira Andersen (1860-1935) e seu conterrâneo Rafael Lopes da Silva (1905-1980), e ainda Emir Roth (1940-1989), que chegou a conhecer e do qual ainda recebeu algumas "dicas" acerca da “noção de sombreamento e luz”, considerando, portanto, estes artistas como: “molas propulsoras de meu trabalho”.
          Deocir ministrou oficinas de pintura para a Prefeitura de Paranaguá durante as gestões (2004/2008 - 2009/2012) do ex-prefeito José Baka Filho, por aproximadamente 10 anos, das quais se orgulha de ter tido alunos jovens e adultos; também deu aulas de pintura na Associação de Moradores da Ilha dos Valadares.
            “é um filho teu”, assim relembra das obras, em especial, uma “todo em relevo” retratando a frente de Paranaguá, com 2m de comprimento: “me cortou o coração”, quando teve de vender. 
          Com certo saudosismo rememora seu primeiro quadro: “uma paisagem, de praia, com canoas”, lembrando o velho amigo e ex-vereador Chechelero, que o arrematou. 
           Deocir é assim, rabiscando uns traços, imagina toda a cena, lhe vem a inspiração e em alguns dias, pronto. Lá está mais uma de suas obras de arte, em meio a outras que já iniciara, todas retratando seu universo parnanguara, guaraqueçabano, caiçara, riquíssima em história e cultura, ou melhor, como se auto-intitula “pintor tipicamente caiçara”.
            Deocir Gomes dos Santos já participou de 04 Salões de Arte, todos em Paranaguá, mas suas obras atravessa as fronteiras do Brasil, nas mãos de colecionadores e particulares no Japão (onde tem 08 quadros), na Argentina, no Uruguai e na Nova Zelândia, lembrando ainda, os percalços acerca da autorização para envio desta ao estrangeiro. Ainda tem obras espalhadas pela cidade de Paranaguá, na sede da Vigilância Sanitária, por exemplo, também na Cedil, no Hospital Paranaguá, no Cartório de Registro de Nascimento, além de um “Cristo” em painel 4x4m na parede da Igreja...

          Nosso - pintor tipicamente caiçara - trabalha com encomendas e está amadurecendo a ideia de uma exposição, para o ano que vem... AGUARDEM.

          Para eventuais encomendas, segue o contato de Deocir Gomes dos Santos:

(41) 9 84 64 52 26 
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antigo painel em parede. Rua da Praia/Pguá - demolido
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