"Eu considero Guaraqueçaba um pequeno mundo dentro do mundo"
- Padre Mário Di Maria - (12/07/1974 - entrevista ao Jornal Diário do Paraná)

24 de julho de 2015

Patrimônio em Perigo II - O Casarão 'velho' e o velho descaso!

        O Casarão, como é chamado, foi construído em 1880, sendo alguns de seus construtores Laudemiro Ferreira Lopes e João Isidoro Gomes;
        Imponente, teve um importante papel na economia local, quando da exportação de banana no período do auge econômico, sendo ali a sede da Cooperativa dos Produtores de Banana em 1900, do qual participavam Tanuz Jorge Barboza, João Isidoro Júnior.
 
        Aportavam navios como “Arlindo” do próprio Laudemiro, para levar banana, farinha e cana-de-açúcar para o Paraguai e a Argentina, comprovado pelo Jornal “Diário do Comércio”, de Paranaguá, em matéria de 16 de fevereiro de 1912, quando foram exportados 700 mil cachos de banana e 12 mil sacos de arroz naquele ano.
        Laudemiro possuía 12 embarcações para carregar os navios maiores que não entravam-no porto de Guaraqueçaba; Até mesmo sua mãe, uma senhora de 60 anos, trabalhava na Cooperativa, carregando sacos de café, alguns com até 100kg.

         Em 1916, a Jorge e Barbosa Companhia – registrou-se na Junta Comercial do Paraná, no ramo de compra e venda de mercadorias nacionais e estrangeiras. Em 1923, registrou-se João Isidoro Júnior no ramo de secos e molhados – com sede no antigo casarão
 
        Nas instalações, quando do declínio da economia, funcionou como hotel, salão de festas, sede da Colônia de Pescadores, escola primária, moradia particular da família de João Isidoro Júnior, depósito e por certo tempo ficou abandonado. Noutra ocasião pegou fogo na parte da cobertura.
 
        Em 1985, foi adquirido pela FBCN – Fundação Brasileira para Conservação da Natureza, utilizado como sede da Estação Ecológica e também da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba.

 
         Nesta época, era mantido no Casarão uma exposição sobre história de Guaraqueçaba, ficando conhecida como “museu”, sob os cuidados do então chefe da APA Área de Proteção Ambiental Miguel Fernando Von Behn, e, quando este é transferido para outra unidade do IBAMA, deixou no Casarão a exposição que montara, e que aos poucos foi abandonada e deixada de lado...
 

 

 

 
        O mantenedor e responsável por 'salvar' este riquíssimo acervo, divulgando-o até hoje, é Edmir Vidal Lopes ‘Zil’.
 
Nossa história corre risco de desaparecer.
Esta é a atual situação do casarão...
 
 
cobertura e assoalho (interno)
 
 
reforço nas estruturas e pingueiras por todo lado
 
 
as telhas caindo e a infiltração tomando conta...
 
CUIDADO
 
parte do telhado está caindo no deck, onde há circulação
 
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esta é nossa Guaraqueçaba... preocupada com a preservação de sua história!
 
tem-se falado sobre reformas, licitação, empreiteira, blá, blá, blá...
 
... o prédio tá desabando!
 
fica nosso espaço disponível para esclarecimentos a que "pé anda" tal projeto de restauro.
 
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este histórico foi elaborado pelo próprio Miguel Von Behr quando da montagem do Museu no casarão
 
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outro Patrimônio em Perigo - Nosso Pixirum
Vila de Ararapira

3 comentários:

  1. Isso porque o casarão estava sobre os cuidados do ICMBio que é um órgão federal. Poderiam ter aplicado algum dinheiro na reforma do prédio, mas por que será que não fazem isso? Usam o patrimônio até o mesmo desabar! Infelizmente é o nosso Brasil.

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  2. Pois é gente. Ha alguns dias atras, visitei, aqui o site, e vi muitas fotos antigas de Guaraqueçaba. Pro meu espanto, fui descobrir que, antigamente (inicio do século) nossa orla era rodeada de casarões antigos, e que por descuido e descaso, foram abandonados e a maioria desapareceu. Bom, hoje só restam alguns: o mercado municipal, o bando itaú, palácio das águias, colônia da pesca... e o Nosso Casarão, sede do IBAMA, ICMBio.... enfim. Mas que muito em breve, se as coisas ficarem como estão, não existirá mais, e ficará só na lembrança. Que vergonha!!! Vergonha para nós, para nossa cidade, e pra nossa história. Vamos tomar alguma atitude. Não podemos ficar de braçõs cruzados. Vamos agir

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  3. Acredito que se pensamos em 'levantar a bandeira' de cidade histórica, nos orgulhando disso, atraindo um turismo histórico, devemos tomar atitudes urgentes... depois que desabar não dá mais. Porém o Casarão é apenas um exemplo, tantos outros patrimônios desabando podemos citar (Igrejinha da Colônia de Superagui, Igreja de Ararapira, etc...)... Continuamos aplaudindo os grandes eventos e grandes festas... a mudança é de atitude, de todos.

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