"Eu considero Guaraqueçaba um pequeno mundo dentro do mundo"
- Padre Mário Di Maria - (12/07/1974 - entrevista ao Jornal Diário do Paraná)

20 de dezembro de 2012

Padre Mário di Maria - um homem mandado por Deus para um povo sofrido...

Padre Mário di Maria
 
        Recentemente a comunidade guaraqueçabana se viu diante de uma grande injustiça e mais uma vez o descaso que há anos se faz com a nossa história. O poder executivo propunha e com quase toda certeza os digníssimos que compõe o legislativo iriam aprovar, a substituição do nome do hospital municipal Padre Mário di Maria, não fosse a presença e insatisfação dos guaraqueçabanos, nas ruas e inclusive na seção da Câmara.
        Realmente o nome do hospital, era Brigadeiro Eppinghaus, que da força aérea paranense, trazia ajuda humanitária para Guaraqueçaba, nos idos de 1970, inlcusive remédios e que anos mais tarde, faleceu em acidente aéreo, por isso esta homenagem. Já a Fundação Municipal Hospitalar chamava-se Bom Jesus de Guaraqueçaba e mais tarde, após seu falecimento, passou a se chamar Padre Mário Di Maria.
        Mais recentemente ainda, em 2008, o nome do hospital passa a se chamar Padre Mário Di Maria, sempre fazendo justa homanegem a este que tudo fez, mais que qualquer outro para que esta obra fosse concluída...
 
        Não tirando méritos de quem quer que seja, inlcusive da população guaraqueçabana que muito contribuiu para a construção do hospital, com valoroso esforço, esta postagem tem por objetivo divulgar um pouco mais do exemplo santo que foi e que é ainda o Padre Mário di Maria, servindo inlcusive para que futuros representantes legislativo ou executivo, jamais se atrevam a cometer hediondo crime na história, desmerecendo aquele que mesmo em outras épocas, nada mais fez do que lutar e dar sua vida pelas causas de nosso povo.
 
 
 
Padre Mário frente ao altar e ao seu lado o padroeiro de Guaraqueçaba Bom Jesus dos Perdões
 
        Mudesto Gio Battista Murattório, o Pe. Mário di Maria, um Italiano nascido em Impéria no dia 20 de janeiro de 1906, fora ordenado sacerdote aos 60 anos, trabalhando na Diocese de Fermo, partindo para missão em Guaraqueçaba, juntamente com as Irmãs do Instituto São João Batista, aqui chegando em 02 de abril de 1964 e, dedicando sua vida aos necessitados e pobres, tratando de melhorar as condições do povo, fazendo com que construíssem suas capelas para que pudessem receber mais dignamente os auxílios espirituais cristãos, assim, construiu e reformou com a ajuda dos moradores, as seguintes capelas:
 
 foram construídas 02 capelas em São Miguel, 02 em Medeiros, 01 em Ilha Rasa, 01 em Almeida, 01 em Ponta da Mariana, 02 em Tromomô, 01 em Saivá, 01 em Pacotuva, 01 em Taquanduva, 01 em Ilha das Peças, 02 em Guapicú, 01 em Laranjeiras, 02 em Tibicanga, 01 em Superaguí, 02 na Praia da Encantada, 01 na Ponta Oeste, 01 reformada em Nova Brasília, 01 em Canudal, 01 em Sebuí, 02 em Vila Fátima, 02 em Barra de Ararapira, 01 reforma em Ararapira, 01 em Poruquara, 01 reforma em Barbado e 01 em Colônia de Superaguí. No continente, 01 em Borrachudo, 02 no Morato, 01 em Ipanema, 01 no Rio do Cedro, 02 em Serra Negra, 02 em Tagaçaba, 01 no Rio Verde, 01 no Itaquí, 01 em Pedra Chata e 01 no Rio das Canoas. (José Hipólito MUNIZ)[1].
 
no melhor local que encontrasse
de canoa 
a cavalo
onde tivesse um irmão, estaria lá o Padre Mário, levando os auxílios espirituais e também todo tipo de ajuda humanitária, desde remédios, roupas e alimentos.
 
 
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        Desde que desembarcou em Guaraqueçaba, logo tratou de conhecer este povo e sua cultura, visitando 1014 famílias no seu primeiro ano, doando cerca de 600 remédios, fundando grupos de jovens e orações, proibindo o carnaval profano, pregando contra os abusos e orgias dos bailes.
 
        Conhecedor profundo das reais necessidades deste povo e comprometido com as causas humanitárias, vivendo o cristianismo, numa época em que muito pouca ou nada era a assistência governamental à estes reais necessitados, Padre Mário inicia sua maior empreitada: Construir um hospital para atender o povo de Guaraqueçaba.
        Vai a Itália em 23 de maio de 1969, voltando no dia 27 de dezembro, com o firme propósito de buscar fundos para iniciar a obra e quando volta, toda a comunidade o espera, anciosos, tanto por seu sacerdote quanto pelo início de uma nova realidade, um hospital. Nada foi tão fácil, desde a retirada de barro, a fabricação manual dos cerca de 35 mil tijolos, carregamento de pedras para a base até a costura de lençóis e etc, teve a iniciativa, o esforço e o suor do Padre Mário di Maria.
 
voltando da Itália com fundos para o início da construção do hospital
 no mês de agosto de 1974, a Paróquia de Guaraqueçaba inaugura o Hospital Bom Jesus, com as enfermeiras Teresa e Júlia Costa e o Doutor Saulo Alves Feu, realizando de imediato três cirurgias, sendo que os primeiros equipamentos, haviam sido usados na Guerra do Vietnâm e vieram equipar o hospital, doados pela Associação Internacional Americana-Alemã.
 
 
        Dia 13 de março de 1970, Padre Mário encaminha ao governador Paulo Pimentel, um ofício pedindo a doação do terreno para o “Posto Hospitalar Misto” e já no dia 16, acontece a 1ª reunião do Comitê Paroquial, discutindo meios para dar início a construção do Hospital.
        Com o trabalho voluntário de cidadãos guaraqueçabanos, do Missionário Constantino Granfo e doações como, da Base Aérea de Curitiba[1], foi possível concretizar o sonho do Povo de Guaraqueçaba.
        Em 1980 a Cúria Diocesana de Paranaguá e a Paróquia de Guaraqueçaba, sem condições de manter o hospital, deixaram a encargo da Secretaria de Saúde.


[1] Projeto Aciso ( Ação Cívico Social), com programas de ajuda à Guaraqueçaba, doando ao futuro hospital, os azulejos, todo o material sanitário, instalações elétricas, hidráulico e também toda a mão de obra das instalações.
 
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Pela sua bondade, amor e dedicação às causas do povo, foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Guaraqueçaba em 1º de abril de 1984.
assinatura dos vereadores da época
Em outras épocas, nesta mesma Câmara, outros representantes lhe concederam tal título; Os representantes de hoje, querem lhe tirar a mais justa homenagem que já fora lhe feita!
 
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Padre Mário com o Bispo da Diocese Dom Bernardo - grande incentivador da missão em Guaraqueçaba
 
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Padre Mário com o Governador do Paraná Ney Braga
 
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        A doença foi o único impecilho que o Pe. Mário não pôde vencer e aos poucos foi lhe consumindo a força e mais tarde a vida terrena.
        Visivelmente abatido pela doença e sem condições de corresponder ao imenso trabalho missionário, por diversas vezes é impedido fisicamente de celebrar a Santa Missa a ponto de nem as escadarias que levam a igreja ele poder subir.
        Sua última celebração em Guaraqueçaba foi no dia 21 de setembro de 1984.
        Seu estado de saúde piora, é levado ao Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, onde faleceu no dia 25 de setembro de 1984, sendo sepultado dias depois em Guaraqueçaba.
 
 
 Em 13 de abril de 1990, o prefeito Antônio Felício Ramos Filho e a Ir. Maria Ferrari inauguram o busto em homenagem ao Padre Mário (na Praça Padre Mário).

 
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        Além do trabalho missionário, Pe. Mário não privilegiava o católico, dava assistência aos cristãos, pois como dizia:

“O necessário é que todos tenham amor; Todo homem que ama é genial, é um cristão, pois o cristianismo é a explosão do amor, alegria e felicidade”.
 
 
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REFERENCIAL
 
CHACOROWSKI CM, Padre José Carlos. Tributo ao Padre Mário di Maria. Vídeo em homenagem ao centenário de nascimento. Guaraqueçaba, 2006.
 
LOSCHNER, Jonatan. Histórico do Hospital de Guaraqueçaba. Guaraqueçaba, 2000.
 
MUNIZ, José Carlos. Bom Jesus dos Perdões de Guaraqueçaba. Livro inédito. do autor.
 
Acervo fotográfico do Instituto São João Batista. Digitalizados e gentilmente cedidos por Dom José Carlos Chacorowski.
 
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Livro Bom Jesus dos Perdões de Guaraqueçaba (ver também na Biblioteca Nosso Pixirum)
 
50 anos do Instituto São João Batista em Guaraqueçaba

2 comentários:

  1. Obrigada por você ser este historiador serio e dedicado, continue assim.
    Agradecemos de Coração todo o trabalho e também a divulgação que faz em torno da história de nosso querido Pe. Maria e de serto modo, também de nossas Irmãs missionarias e de nossa missão. Que Deus te abençoe.
    Ir Rozilda

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  2. Parabéns pelo resgate histórico. Abraço

    Miguel von Behr

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